BRASIL, Mulher

 

   

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    Não há pérola mais rara



    Para minha mãe

    Mainha

    Hoje queria te dedicar apenas meus pensamentos mais puros. Limpar a mente e deixar somente teu sorriso aberto, o som da tua voz flutuando pelo meu dia. Mas as lágrimas queimam minha alma. Me sufocam os minutos de consciência me turvando os sentidos.

    Desejo então que essa lembrança seja depurada através da imensidão. Que chegue a ti, em forma de jato de luz, só o amor infinito que te dedico. Que chegue como luz intensa, aconchegante e bela, que acalme e incentive, que acolha e oriente, que brilhe em qualquer situação.Assim como você em cada segundo que passou nessa terra.

    A saudade não acabará nunca e, peço a Deus, que as lembranças também não se dissolvam. Elas são o único remédio para que a dor não se converta em tristeza. E teu exemplo não nos permite nada além de alegria.

    Amor. Saudade.

    Aninha



    Escrito por Aninha Santos às 10h05
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    Alguns dias

    Tem dias que quero voltar ao útero de minha mãe
    Voltar à brancura inominável que me antecede
    Deixar de ser eu ou ser de novo em plenitude
    Alguns dias desejo não ter consciência de mim

    Porque essas lágrimas queimam por dentro
    Esse grito interminável me ensurdece
    E o mundo é tão ausente de cinzas
    Que os olhos se recusam a ver.

    Tem dias que imploro uma paixão
    Como um viciado que não quer abstinência
    Porque dói estar no vácuo das cores
    Porque dói muito não ser silêncio

    E nesse futuro que se foi na recusa
    E no passado que espanca a esperança
    Sigo desejando um momento de nada
    Que um pouco de coragem, talvez,
    Pudesse me proporcionar.

    Não há métrica.
    Não há regra.
    Não há magia.

    Apenas uma mulher em busca de si
    Olhando para um espelho sem luz
    Escrevendo um autorretrato
    Enquanto espera uma esquina qualquer.



    Escrito por Aninha Santos às 17h40
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    Luz para a terra e para os homens

    Posso dizer, sem medo de exagero, que realmente descobri o mundo no dia em que pisei na UEPB. Era uma menina lá do fim do mundo que arriscou demais e deu sorte. Cheia de estigmas, de medo, de preconceitos enraizados. Esperando assustada numa fila de matrícula, coração aos pulos, vendo a hora que alguém diria: você se enganou, seu lugar não é aqui.

    Nunca aconteceu. A uepb me acolheu, me descobriu, me incentivou. Entre uma aula e outra descobri a lauda e a democracia, o lead e a revolução. Pintei as paredes da faculdade, fiz pedágio para consertar o telhado, distribui panfletos e entendi que precisava mais. A foto do Vlado* assassinado colada na parede do Centro Acadêmico, o filme do Lamarca, o gosto amargo na boca ao me dar conta das atrocidades cometidas pelo meu país, o sangue pulsando forte me dizendo: que jamais se repita!

    A amizade, a solidariedade, a música e a alegria de fazer partem sonho de futuro também são lembranças quase palpáveis que guardo em mim. Na UEPB a moleca, negrinha, pobrezinha, feinha e incapaz se percebeu uma mulher, negra, cidadã, com consciência de classe, um horizonte de descobertas diante dos olhos e uma vontade avassaladora de transformar.

    A luta por uma Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade nunca foi uma utopia. Foi construção; passo-a-passo em reuniões intermináveis, em passeatas frustradas, nas grandes e pequenas manifestações, nos congressos estudantis, nas cirandas, nas palestras, greves, acampamentos e nas viagens intermináveis com mais coragem do que planos...

    Refazendo o DCE; Pro que der e vier; Matar essa história é crime; Muda UEPB! Tantos slogans, campanhas, choros, risadas, discursos, discussões... Era a gente se organizando para desorganizar. Tudo isso está tatuado em minha alma e numa história coletiva de luta e conquista. Um processo que não começou comigo e que não terminou em mim.

    As bandeiras históricas de acesso e permanência, de inclusão social, de derrubada dos muros de uma universidade cada vez maior, mais ampla e mais identificada com seu povo foram levadas por outros personagens, e eu tenho orgulho de, olhando os documentos de uma década atrás, dizer que a UEPB foi mais longe do que propúnhamos, do que imaginávamos no início dos anos 2000. E, que beleza, continua avançando!

    A política instituída a partir da conquista da autonomia abriu um horizonte de possibilidades inesgotáveis, levou a universidade para além das fronteiras dos presídios, libertou mentes e corações nos recantos mais isolados, foi combustível para um desenvolvimento técnico e intelectual jamais visto no estado da Paraíba.

    Aquele homem, aquela mulher, de mãos calejadas e aparência humilde que com seus impostos pagaram a minha faculdade hoje podem entrar em qualquer um dos seus campi com a intimidade de quem entra em sua casa. Dizem com orgulho: essa Universidade é minha, eu ajudo a construir!

    Essa identidade do povo paraibano com sua universidade não se apaga, é soberana, não se submete ao equívoco de governo algum. Assim como não se apaga a esperança que se acendeu em meu peito ao ver a assinatura do diretor naquela ficha de matrícula. Era real. É real.

    A UEPB é do povo paraibano. Lutaremos por ela até que se dissipem todas as trevas da ignorância e da mediocridade. Terrae Viroque Lumen!**

     

    Ana Cristina Santos é jornalista. Foi presidente e coordenadora-geral do DCE UEPB entre 2002 e 2004

    * Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar.

    ** Inscrição do brasão da UEPB.



    Escrito por Aninha Santos às 01h02
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    Em manutenção

    É difícil para quem vende palavras guardar um pouco delas para si. Meu Paraíba Vermelha virou um depósito do que não cabe nas prateleiras, essa não era a intenção. Vamos reformar tudo. Vou pedir ajuda aos arquitetos da web, colocar um divã, uns expositores para quem doa palavras, umas vitrines para quem distribui ideias e guardar umas paredes para pendurar as poucas letras que me restam. Por enquanto vamos olhando pro PB Vermelha como um cantinho em reforma, não tá aberto, mas também não tá fechado. Tá reformando...



    Escrito por Aninha Santos às 17h19
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    Para que não se perca...

    Quero uma casca, me fechar num ovo

    Quero fugir do mundo. Deixar de ser.

    Para que tudo mais seja música

    Para que nada mais me importe

    Para essa dor deixar de ser eu.

     

    Quero disfarçar surpresa

    Migrar para a tecnologia

    Fingir que tive um orgasmo

    Ter pena de mim e de deus

    Para essa dor deixar de ser eu

     

    Quero parar de vomitar palavras

    Suportar essa necessidade de estar

    Abandonar a vaidade, o tédio, a fantasia

    Mergulhar no vazio inconsciente

    Para essa dor deixar de ser eu

     

    Quero gritar até não ter ouvidos

    De olhos abertos mergulhar nesse precipício

    Ignorar tudo que fizer sentido

    Num turbilhão deixar de querer

    Para essa dor deixar de ser eu

    Para essa dor deixar de ser eu

    Para essa dor deixar de ser eu!



    Escrito por Aninha Santos às 17h16
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    Sobre um medo que me consome.

     

    Marina tem dois anos. É uma menina linda, inteligente, sorriso que desmonta qualquer criatura. Há muito tempo Marina sabe o que é dor. Suas primeiras brincadeiras seguem a rotina médica que no último ano fez parte do seu cotidiano, do nosso cotidiano na busca de um diagnóstico.

    Quando nossas forças pareciam acabar os amigos (sempre eles!), garantem uma perspectiva em Recife. E foi no IMIP ( Instituto Materno Infantil de Pernambuco), que Marina recebeu finalmente um diagnóstico e um tratamento. Nos corredores do hospital, nas salas de espera, nos gramadinhos dos jardins minha irmã e a pequena Marina conheceram a solidariedade e ouviram histórias mais tristes, mais sofridas que a delas; e ouviram finais felizes, e receberam sorrisos de esperança e muito em breve serão mais uma história bacana no acervo daquele hospital pernambucano.

    Daqui dois dias minha Marina Morena estará nas mãos da equipe da cirurgia do IMIP. E eu escrevo esse texto para tentar acalmar um coração que insiste em não se aquietar. Eu escrevo para tentar concretizar a energia boa da acolhida de Thaís, do empenho do Dr. Giliatt Falbo, do carinho das secretárias da superintendência que viraram “amigas” da nossa pequena, da presteza do dr. Alex Caminha... (deve haver tanta gente mais nesse processo que só acompanho à distância).

    O medo, esse covarde que nos tira a vida, ameaçando bagunçar o coreto. E eu, tentando distrair meu egoísmo, me esforçando para pensar que tem outros corações apertados, tem outros frios na barriga e tem, principalmente, um futuro lindo esperando minha pequena e seu sorriso encantador. Tem ela lambuzada de chocolate, experimentando novos sabores, desvinculando prazer de dor. Eu vejo minha moreninha seguindo em frente nessa arte de fazer nossas vidas mais bonitas. Aí eu mando o medo e a angústia embora. Ai eu luto com unhas e dentes para que ele não volte.



    Escrito por Aninha Santos às 19h58
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    Eu de volta...

    Poeminha de passado


    Era uma princesa

    Com seu reino perdido

    Na luta que conscientemente ignorara.

     

    Era uma bailarina

    Sem vida fora dos palcos

    Do qual fora involuntariamente arrancada

     

    Era uma artista

    Que respirava o aplauso

    Dependente do aplauso que um dia

    Simplesmente silenciou.

     

    Era uma mulher

    Forjada na beleza estonteante

    O mundo aos pés de seus desejos...

     

    ***

     

    E estava presa em uma casca

    Pesada, inoperante, isolada

    Seus olhos pequenas janelas

    Por onde saíam sonhos,

    lembranças, vontades.

    Em suas lágrimas buscava as lutas,

    O placo, o aplauso.

     

    Não era uma princesa.

    Não era uma bailarina.

    Não era uma artista.

    Não era uma mulher.

     

    Era um castigo. Uma casca. Só!



    Escrito por Aninha Santos às 17h01
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    Guerrilha do Araguaia - uma luta que não acabou!

    Escrevi a pedido da Fundação Maurício Grabois. Compartilho com vcs. Beijocas. Aninha

     

    Torturados do Araguaia recebem apoio da OAB

    A narrativa impressiona, emociona, revolta. Na busca por justiça os representantes dos camponeses torturados na Guerrilha do Araguaia repetem incansavelmente, nos mais diversos fóruns, as histórias de desrespeito, tortura e negligência. Na tarde desta terça-feira (7), a luta dos torturados no Araguaia ganhou um importante aliado: a Ordem dos Advogados do Brasil. 

    Representantes da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia (ATGA), foram recebidos pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília.  O grupo falou sobre a suspensão pela Justiça Federal ― por representação do deputado Jair Bolsonaro- PP/RJ ― dos benefícios aprovados pela Comissão da Anistia, para 45 camponeses da região do Araguaia.

    As indenizações foram aprovadas pelos danos, sobretudo materiais, sofridos durante as quatro campanhas do Exército que dizimaram a guerrilha comandada pelo PCdoB no Araguaia. Esses camponeses comprovaram que os poucos bens que possuíam como plantações, criações, equipamentos agrícolas, foram destruídos pelas forças de segurança à época. 

    Os relatos

    O ex-deputado federal Aldo Arantes (PCdoB/GO), membro do Grupo de Trabalho Araguaia, do Ministério da Defesa, também participou da reunião e ajudou a mediar o debate. Arantes abriu o encontro e introduziu o tema, destacando que a pauta deveria abordar a questão jurídica, sem deixar de lado os problemas concretos que os atingidos no Araguaia sofreram e sofrem em suas vidas.

    José Moraes, ou Zé da Onça como é mais conhecido o presidente da ATGA, expôs a situação de violência moral a que estão submetidos os camponeses anistiados. Ele explicou que as operações no Araguaia duraram até 1975 e lembrou que quando os militares chegavam usavam de extrema violência para obrigar as pessoas a dizer onde estavam os guerrilheiros, mesmo que não soubessem nenhuma informação. Os guias também eram obrigados a mostrar os locais. O clima era de medo e insegurança. As casas e objetos eram queimados, as pessoas mutiladas, mortas ou seriamente machucadas. 

    Zé da Onça destacou que os camponeses vitimados pela ação dos militares estão doentes e morrendo sem assistência. Eles precisam dos recursos da anistia para ter, pelo menos, tratamento digno e apropriado. Ele se pergunta qual o motivo que impede os autores da ação de suspensão da anistia de conhecer in loco a realidade da região. “Porque que os advogados do Bolsonaro não foram até o Araguaia para ver a realidade, as pessoas queimadas, as mãos calejadas antes de entrar com esse processo?”

    Sezostrys Alves da Costa, tesoureiro da ATGA, ajudou a reconstituir a história da luta dos camponeses e destacou o papel da Comissão da Anistia, que foi até a região para ouvir os relatos daquela população. Ele falou sobre a sensação de segurança e a esperança que estas ações trouxeram às vítimas e ressaltou a seriedade do trabalho desenvolvido pelo grupo.

    Militares

    Raimundo Melo, da Associação dos Ex-combatentes do Araguaia, também fez depoimento sobre a ação militar na época e a dificuldade de organização dos ex-combatentes devido a repressão e tentativas de intimidação que ainda acontecem.  Ele relatou casos de estupro de crianças e idosas, de extermínio de agricultores e casos de prisão e tortura. 

    Um caso em particular chamou a atenção dos presentes: o relato de tortura de um camponês no qual passaram açúcar em todo o corpo e jogaram em um formigueiro. A vítima em questão era o pai de José Moraes, presidente da ATGA.

    Raimundo explicou que militares eram treinados para exterminar as pessoas e que frequentemente sofriam castigos físicos, destacando que tem conhecimento de pelo menos 13 militares que morreram em conseqüência de tortura. “Eles treinavam na gente e depois praticavam no pessoal de lá e do PCdoB”, afirmou. 

    Apoio da OAB

    O presidente da OAB ouviu todos os relatos com bastante atenção e opinou que seria um passo importante para a humanização da justiça se o juiz pudesse fazer uma vistoria no local, conhecer as pessoas envolvidas no processo e ouvir os seus depoimentos. 

    Ophir Cavalcante disse que a OAB estudará providências e por meio de sua Comissão Nacional de Direitos Humanos deverá aprofundar as discussões e investigações em torno dessas revelações. De imediato o assunto será incluído na pauta da entidade e os veículos de comunicação darão atenção especial ao tema como forma de ampliar a divulgação da causa.

    “Eu gostaria de tranqüilizar o povo do Araguaia e dizer que a OAB tem responsabilidade histórica com esse país. Por isso, dentro das nossas possibilidades, ajudaremos nesse processo. Não podemos viver com essa violência que se tenta exercer sobre o povo desse país”, assegurou Cavalcante.

    Presenças

    Também participaram da reunião o secretário-geral do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho; o membro honorário vitalício da entidade, Cezar Britto; o presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous; Pedro de Oliveira, da Fundação Maurício Grabois; Milton Alves, do Comitê Central do PCdoB, e os advogados da ATGA Cláudio Moraes e Ronaldo Fonteles.

     

    De Brasília;

    Ana Cristina Santos




    Escrito por Aninha Santos às 19h56
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    Sobre a arte de querer bem

    Aprendi uma coisa horrível. Aprendi a não desejar bom dia. Aprendi sem querer esse jeito de pronunciar palavras por educação ou polidez, sem naquela saudação deixar escapar nem mesmo um mínimo de energia positiva que contribua para deixar realmente bom o dia daquele indivíduo.  Não gosto disso. Enquanto olhava as linhas lindas de Brasília a caminho do trabalho pensei que é possível que a gente não mude o mundo e que o mundo que mude a gente. Esse pensamento me deixou realmente chateada.

    Oras, será que um dia vou gritar e humilhar para impedir que descubram que não sei fazer alguma coisa, ou coisa nenhuma? Será que algum dia vou desdenhar dos diferentes para me certificar de uma possível superioridade de grupo ou de classe? Será que vou me relacionar com as pessoas pelo que elas têm e não pelo que elas são? Será que um dia vou ser capaz de qualquer atrocidade para manter uma imagem de alguém que não sou?

    Tenho medo de desaprender a ser gente, assim como desaprendi a desejar bom dia.  Não quero me olhar no espelho e ser incapaz de saber que aquilo sou eu. Não quero vampirizar a energia, a criatividade, a alegria daqueles que estão ao meu redor. Quero continuar sendo eu, essa tonta cheia de sentimentos e de coração; que só tem para si mesma e para ofertar ao mundo um monte de letras digitadas com um tiquinho de dor. Quero ser eu mesma, meio falida, meio cansada, ficando velhinha e escrevendo no meu blog.

    Me avisem se te desejar bom alguma coisa e meu olho não estiver no teu, e se eu não tiver um sorriso idiota no rosto me lembrando que continua sendo muito melhor ser gente e estar viva. C’est fini.



    Escrito por Aninha Santos às 15h43
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    Piada que manipula...

    Estudos comprovam que esse tipo de jornalismo (?!) policial desrespeita a legislação brasileira, os direitos humanos, o estatuto da criança e do adolescente. A ONG Cipó, da Bahia, tem um trabalho recente e interessante a respeito. Rende estudos e pede providências. É preciso se indignar, reagir. Não é possível educar nossos filhos aceitando como normal a violência, o desrespeito e o embrutecimento da nossa sociedade.
     
    Por isso cada dia mais apóio e defendo um controle popular para a comunicação. O direito e a liberdade de expressão não podem ser argumento de defesa para a avacalhação e o desserviço público. Pronto, falei!

    Agora leiam o texto, uma denúncia atual e urgente de uma paraibana.

    PIADA QUE MANIPULA...

    A TV paraibana nunca foi tão ridicularizada. As mortes transmitidas das 12 às 13h, que já eram prato principal dos almoços de muitos paraibanos "vidrados" no correio verdade agora estão do jeito que o jornalismo imprudente sempre sonhou: as pessoas riem da desgraça alheia e a bandidagem ainda vira melô, hit musical...

    Pois é, as novas celebridades do jornalismo local não são reconhecidos por seu trabalho sério e competente em informar...não são visto pelo Brasil como repórteres que elevam a Paraíba...são reconhecidos em toda a parte, mas, como o próprio Portal Correio anunciou em 2010, " Agora, toda a Paraíba vai ver e conhecer a força, a alegria e a irreverência de Samuca Duarte e Emerson Machado." É mesmo uma pena que estivessem falando de um programa policial...

    Sucesso no you tube, orkut e afins, a "dança do mofi" é unanimidade: agrada tanto aos cidadãos de bens quanto aos bandidos. As crianças, incentivadas até mesmo pelos pais, colocam a camisa na cabeça e com os braços para trás dançam e aumentam a popularidade do jornalismo que todas as tardes ri da falta de consciência de uma população que já acostumada com a impunidade, resolveu aceitar que ela virasse piada.

    Tratados como "amigos" (já que são a audiencia), os criminosos até gostam das brincadeiras, afinal de contas, nem é assim tão grave o que eles fazem...

    Para mim, parecia que já tinham usado e abusado de todas as armas do sensacionalismo, mas mostraram que não: no dia 31 de março o telejornal foi transmitido em pleno Mercado Público de Mangabeira, e é claro, com direito a palco e plateia. A cada notícia de mais uma entrada no Hospital de Emergência e Trauma ou de uma briga em bar que acabava em morte, uma música era tocada pela banda que estava participando do Caravana da Verdade. Lágrimas, perdas e outras tristezas que merecem respeito (seja por quem for), viraram show. Um show desejado e aclamado por muitos telespectadores. Ah, a ideia contraditória e doentia da contratação da banda foi anunciada no prórpio Portal Correio, com as seguintes palavras:" A Banda Identidade Baiana realizará um show para animar ainda mais o evento, das 11h às 14h."

    Samuka Duarte, Emerson Machado ( Mô- fi), Marcos Antonio (O Àguia), Josenildo Gonçalves (O Cancão da Madrugada) e toda a equipe de edição do Correio Verdade conseguem, dia após dia, tornar animadas as refeições de paraibanos que não se importam em almoçar frente às cenas de corpos perfurados e poças de sangue humano. Creio que não conseguem, com a mesma eficácia, tornar menos dolorosa a sina de uma mãe que sente a dor de ter um filho que agora é presidiário, de parentes de uma criança que morreu acidentalmente ou de um pai, que vê seu filho destruído pelas drogas, morto e servindo de audiência para um programa de humor chamado Correio Verdade.

    Não sou jornalista. Sou nutricionista, mas antes disso, cidadã. Incomodada com o desprezo explícito à vida humana senti a obrigação de pedir a todos os meus contatos que repensem seus valores de respeito e dignidade à vida sempre que pensem em assistir esse e outros programas que indiquem sinais tão fortes de insulto a nós, telespectadores. Insulto a nossa capacidade e direito de exigir jornalismo de qualidade em palavras e atitudes.

    Se concorda, repasse o email. Quanto mais as pessoas se conscientizarem dos "pequenos" males que nos envolvem com graça e alguns risos com gosto de sangue, mais chance teremos de exercer e usufruir daquilo que chamamos de cidadania. Merecemos mais respeito.
     
    Texto de: Elaine Oliveira
    Nutricionista e Personal Diet



    Escrito por Aninha Santos às 12h09
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    Eu, intérprete.

    Eu paraibaníssima, com marido paulista e filho candango passo por esse problema que aparece no vídeo o tempo inteiro. Situações comuns: Eu falo eles não entendem. As pessoas falam eles me olham esperando tradução. Boa parte das conversas, até mesmo aqui em casa, precisam de intérprete. Ritmo, regionalismo, vícios de linguagem. Um país, uma língua, mil sotaques. Bonito demais! Para além curtam o vídeo que é, de fato, uma gracinha. Beijocas da múmia.

    PS: A múmia, da beijoca, sou eu tá?



    Escrito por Aninha Santos às 00h35
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    Um banco no caminho*

    Acredito na política como único caminho para a solução dos problemas da humanidade. Não acredito nas pessoas que roubam esperanças. Não acredito nas pessoas que se aproveitam da boa vontade, da boa fé dos homens de bem. Acredito na política como único caminho para a solução dos problemas da humanidade.

    Nesse caminho cheio de pedras que escolhi trilhar não me faltaram as quedas, tal qual criança aprendendo a andar. Um pouco de choro, um pouco de dor e a busca incansável pela emoção de experimentar ficar firme no próximo passo. Não permito que roubem meus sonhos.

    Um pouco de mim ficou em cada centímetro dessa já considerável trajetória. Olho o futuro. Nego a realidade. Choro ao ver o noticiário. Edito um site. Organizo um blog. Escrevo um release. Produzo um artigo. Vendo letras, frases, sentenças. Compartilho ideias. Discuto planos. Me percom em lágrimas. Não acho a porta. Fecho janelas. Acho crianças. Não permito que roubem meus sonhos.

    E nessa utopia que é o meu real sigo guardando o que há de mais precioso em mim. E sei que há iguais. E me sinto feliz por somar, por ser mais um seguindo em frente, ignorando a alma revolta que insiste em deixar o corpo para alçar vôos mais felizes. É bom saber que não estou só, que sempre haverá alguém que se preocupa em construir um banco para aquela senhora descansar um pouco até ter condições de seguir o seu caminho.

     

    *De uma história contada pela deputada Manuela D' ávila sobre a deputada Luciana Santos, ambas do PCdoB



    Escrito por Aninha Santos às 17h31
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    Um dia feliz!

    Não vou falar muito, mas tenho o maior prazer de recomendar esse texto da minha irmãzita, Ana Karine, graduanda em Psicologia e uma pessoa Feliz. Enjoy!!

    ***

    Era um dia feliz de faxina, sozinha, a boca machucada, doendo, e um toró pronto pra cair...

    Não me pergunte como, mas nesse ínterim comecei a pensar sobre a insatisfação, a alegria (e a falta dela). Tantas reclamações guardadas e ditas, pensadas e confirmadas... e aquele anjo que eu sonhei,e o escuro que ficou depois que ele foi embora, e tanta coisa, tanta coisa...e a angústia, a maldita angústia que geralmente vem encoberta de maus pensamentos e seguido de choro e depressão. Droga de Dia Feliz!!!

    ...Errado! De repente lembrei de minha mãe, assim do nada. E dos domingos em que ela ainda estava comigo (conosco). E no lugar de tristeza eu simplesmente me enchi de alegria e abri um vinho. Tomei um gole do vinho, e continuei a lembrar de minha mãe... Falta alguma coisa... Música! Corri e convidei Tom e Vinícius, assim de cara, e Maria Rita, e Miúcha, e meu querido Chico... E assim foi.

    Quem me conhece só um pouco (e são muitos) vai dizer – ao ler isso – que sempre soube que eu era louca. Quem me conhece um pouco mais vai dizer que eu sempre soube me divertir ( e de forma bem peculiar); Porém, os quase nenhum que realmente me conhecem devem estar se perguntando como EU estou aceitando de tão bom grado uma alegria surgida assim do nada e sem me perguntar de onde, pra onde e principalmente PORQUÊ. Elementar meu caro amigo; eu estava me perguntando. E aí vai a resposta:

    No ano passado durante uma aula odiosa, Deus se fez presente e, num diálogo despercebido, surge o grande clareamento (que eu já desconfiava muito, muito): Que as pessoas não morrem, ao menos não na sua essência. E que por isso eu sempre a tinha tão tão perto de mim!

    Sabe um dia eu sonhei, já faz tempo, que mainha me ajudava a educar meu filho. “Que sonho, ela não está mais aqui.” Minha mãe sempre soube educar e cuidar. Na mesma intensidade que ela brigava, ela cuidava e amava... ah ela amava como ninguém jamais soube ou vai saber fazer igual...

    Muita coisa junta, né? Mas enfim, voltemos para a alegria do Dia Feliz. Pois bem, estava eu lá, tomando vinho, fazendo faxina e me enchendo de alegria ao cantar desafinadamente e a todo pulmão as minhas músicas preferidas. Lembrem-se vocês que era domingo e eu lembrava de minha mãe, e o mais importante: eu me perguntava de onde vinha toda essa alegria (e digo essa, mas poderia ser esta, já que permanece em mim).

    A resposta veio com a lembrança, primeiro, de uma dor tremenda: muitos aniversários meus, após a morte de minha mãe, onde a tristeza tomava conta de todo o meu dia, afinal, ele começava sem o parabéns de minha querida. Depois lembrei exatamente do jeito como ela era Feliz e como eram esses parabéns, e depois como eram tão poucas as coisas materiais, mesmo no aniversário,e tanta felicidade... e então eu ouvi aquela música que eu não sei mais qual era, e era domingo e eu acordei (mas fingi que ainda dormia) e fiquei apreciando Roberto Carlos cantar, acompanhado, é claro, por mainha, enquanto ela andava dentro do quarto (dela) e separava as roupas que íamos vestir, e preparava o café, e o cheiro de café, e o locutor apresentando o próximo bloco, e ela cantando e eu aguardando ela entrar no quarto e mandar todo mundo levantar, “que já é tarde”.

    É tudo realmente muito louco, e eu ainda não tinha tomado nem o segundo gole de vinho.

    Vocês podem ainda não ter entendido o que é que essa história quer dizer, e eu vou tentar explicar, já que, todo mundo sabe, não sou tão boa assim em me fazer entender.

    Ela – a minha mãe - consegue ainda hoje estar presente e me ensinar com todo o amor do mundo tanta coisa... Sempre esteve, como no dia que ficou bem nervosa por causa de uns fios em que eu estava mexendo, e ela me gritou que saísse dali. Mas eu só queria ajudar e ela não entendia!!! Fui lavar a louça, lá no quintal, pra poder chorar sem ela ver e reclamar. Droga! Ela veio atrás de mim! Ehr, foi engraçado, ela pegou o tamborete que ficava com a bacia de louça , sentou do meu lado e explicou que sabia que eu queria ajudar, e me disse coisas tão maravilhosas que só ela poderia ter dito. E eu não chorei mais, nem quando ela já estava bem doente... Ou quando eu de fato levei aquele choque...

    Quando essas coisas aconteceram eu era criança. Nesta época (não tão distante) só quem tinha CD era gente rica, pobre tinha um som que “pegava fita”, quem era muito pobre tinha um som com vitrola e ouvia discos de vinil. Nós tínhamos um som desses últimos aí, mas (se estiver enganada irmãs, me corrijam), minha mãe não tinha nenhum disco do Roberto Carlos, de quem era fã. E sabe quantas vezes eu ouvi ela reclamando disso??? NENHUMA. Só lembro da alegria que ela sentia de ter um programa na rádio TODO DOMINGO, onde ela poderia ouvir seu ídolo. Vocês entendem?

    Eu entendi.

     


    Os dias felizes surgem não do que está ocorrendo neles, mas dos significados que lhes damos.



    Escrito por Aninha Santos às 11h03
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    Sem modos

    As vezes vomito palavras. É descortês, mas ainda assim publico no meu blog...

    ________________

    Quero um sonho que me acalente a alma
    Uma piada que me faça rir
    Uma música que tire meus pés do chão
    Suavemente ou enlouquecidamente
    Que me faça dançar com todos os sentidos.
    Quero um cheiro que me abra o apetite
    E um sabor inesperado que me faça suspirar
    Quero chorar por um motivo real
    Uma paisagem que me faça querer viver
    Quero desejar tempo para coisas bobas
    Quero trabalho para ser produtiva
    Quero remédio para dores reais
    Quero fuga para a realidade
    Ficar tonta com a crueldade do mundo
    Sentir náusea com a maldade das pessoas
    Gritar com as injustiças que me cercam
    Mas sorrir com a presença do meu filho
    Me encantar com seu sorriso
    E sentir paz com seu falar interminável
    De quem está descobrindo o mundo.

    Quero me sentir viva
    De novo
    Ao menos uma vez.



    Escrito por Aninha Santos às 15h30
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    Dos desejos

    Por Oziella Inocêncio


    Quero um útero quente
    De uma mãe que não abandona os filhos
    Para me proteger da maldade do mundo.
    Quero um pai que me coloque no colo
    Sem previsão de sair de lá.

    As unhas sujas de um mendigo
    Que tira do lixo o alimento
    Para o jantar
    Eu as quero em minhas mãos
    Almejo a força dele
    Para levantar todos os dias
    Sem reclamar
    E saber de que é feito o mundo
    Com quanta revolta se faz o mundo
    Com quanta angústia se faz o mundo girar.

    Uma camisa de força
    Uma rosa na boca
    Para imobilizar o que há de mal em mim
    E lembrar que mesmo saindo
    Dos detritos da terra
    É possível ser suave
    É possível ter encanto
    É possível agradar.

    Quero me amar
    Olhar meu reflexo no espelho e me adorar
    Não ter um susto ao me contemplar
    Não me envergonhar, por não ser...
    Tal qual um travesti, desfilar, rebolar
    Fingir não ouvir
    Ousar aceitar
    O olhar das pessoas
    Querendo me cuspir
    Querendo se alimentar
    Do que sobra em mim
    Do que nelas falta
    Do que nelas sempre faltará.

    Vou me pintar
    De um negro muito profundo
    Cantar hinos africanos
    Nas ruas bailar
    Esquecer que a minha diferença
    Que a minha postura contrária
    Que a minha “impostura”
    Pode ser perigosa
    Pode me machucar
    Que é melhor escondê-la
    Melhor chorar sem que ninguém veja
    Preferível me resguardar

    Quero ouvir uma música triste
    O grito das mulheres
    Daquelas que desejam um romance de filme antigo
    Daquelas que facilmente pedem desculpas
    Que fingem ser felizes por trás dos óculos
    Que escondem algo não muito bonito
    Por trás dos óculos
    Que fingem gozar
    Mesmo sentindo dor
    Por medo de se verem sós
    Por medo do quarto vazio
    Por temerem a vida
    Por temerem assumir sua própria vida.

    Se tudo doer demais
    Se o peso for além das minhas forças
    Quero a ânsia e a ingenuidade dos viciados
    Que preferem uma existência maquiada
    Por não aguentar
    Escolhem um fio de alegria
    Sonham com um consolo perene
    Num copo cheio de álcool
    No último cigarro antes do expirar

    Quero um útero quente
    De uma mãe que não abandona os filhos
    Para me proteger da maldade do mundo.
    Quero um pai que me coloque no colo
    Sem previsão de sair de lá.


    * Oziella Inocêncio é jornalista, graduada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Nas horas livres, costuma se aventurar na ficção literária, com a criação de contos e poesias.

    E eu completaria: uma pessoa humana sensível, intensa e inteligente. Uma profissional dedicada, inventiva e competente. Sou fã!

    Abduzi o poema das colunas do Paraíba Online



    Escrito por Aninha Santos às 11h20
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