BRASIL, Mulher

 

   

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    Não há pérola mais rara



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    Poderia ser brilhante, então as pessoas diriam: Era tão brilhante!

    Poderia ser bela, e as pessoas diriam: Era tão bonita!

    Poderia ter posses, daí as pessoas diriam: Era tão rica!

    Poderia ter muitos amigos e as pessoas diriam: Era tão amada!


    Mas não era brilhante, nem bela, nem rica. Trabalhava para sobreviver, maquiava para realçar, se esforçava para cumprir cada dia no seu mediano jeito de viver. Lembrava as pessoas queridas se esforçando para entender que não se recebe na mesma medida que se dá.


    Tentou como alguém que se afoga buscar uma mão, uma bóia, uma corda, um segundo de oxigênio naquele mundo sem ar. Buscou de todas as maneiras falar e ouvir, achar uma resposta, saber , enfim, que pergunta era aquela que não conseguindo se libertar exigia ser replicada, resolvida, consumida.


    Perdeu-se na fala ríspida, perdeu-se na voz tranquila, perdeu-se no abraço amoroso, perdeu-se no olhar compreensivo. Perdeu-se na saudade, perdeu-se no sentimento alheio, perdeu-se no infinito das relações de sangue, perdeu-se no imaginário do que não se pode ver. Perdeu-se na questão sem resposta.


    Admitiu não haver saída. Dedicou-se a pensar em como seria lembrada. Não era brilhante, nem bonita, nem rica, nem amada, nem alegre, nem sombria. Ela não esteve, não estava, não tinha asas. Fecharam-lhe as portas do pensamento, seqüestraram-lhe os sonhos, devolveram-lhe pesadelos. Dedicou-se a pensar em como seria lembrada e percebeu que nenhum plano poderia apagar a lembrança da pergunta que um dia consumira seu sorriso, apagara suas memórias, desvirtuara seus sentimentos. Não podia se separar da pergunta sem resposta que a transformou numa sombra disforme e sem nenhuma vontade de ser. Seria lembrada pela pergunta e estaria destinada a viver para sempre no incômodo vácuo da interrogação que busca um ponto final.



    Escrito por Aninha Santos às 12h58
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    E por falar em mãe...

    Acabo de receber e-mail da colega Clarissa Vargas, convidando para a oficina: Protagonista do Parto (imagem abaixo). Foi através da Clarissa que conheci o termo Doula e fiquei sabendo dessa atividade e seu papel no parto.

    As doulas são mulheres que ajudam as gestantes durante a gravidez, no momento do parto e nos primeiros momentos com o bebê. De acordo com o www.doulas.com.br “a palavra 'doula' vem do grego 'mulher que serve'. Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto".

    Acho super importante essa iniciativa. Nos dias atuais, quando cada vez mais as pessoas se voltam a individualidade, contar com uma pessoa amiga no difícil e mais importante momento da vida de uma mulher é de fato um alívio. No meu primeiro e único parto contei com a amizade e carinho de uma doula improvisada, a minha prima Mônica, que ficou ao meu lado até que eu entrasse no centro cirúrgico e ofereceu toda a atenção que eu teria da minha mãe, caso ela estivesse viva. Isso foi muito importante para que eu suportasse todas as dores, a ansiedade, o medo...

    Foi também a Mônica que me deu boas dicas nos primeiros dias de amamentação e segurou o meu bebê para mamar enquanto eu arrancava os cabelos e sacudia as pernas com a dor. Acho que nunca agradeci direito todo esse apoio: Bibi's, obrigada mesmo! Você foi muito importante e, Sim, isso foi um agradecimento público!

    Penso que o parto, assim como a amamentação, deveriam ser experiências maravilhosas que não devem, de forma alguma, ficar marcada pela sensação de dor e desconforto, por isso acho fundamental o trabalho das doulas. Se houvesse alguém acompanhando minha irmã no nascimento da sua primeira filha talvez ela houvesse sofrido menos. O pior é que os hospitais e suas equipes dificultam muito a participação de acompanhantes durante o parto.

    O argumento central é que alguns acompanhantes atrapalham mais do que ajudam porque não conhecem os procedimentos, ficam ansiosos, querem solução imediata para um processo naturalmente demorado.  Se é assim, e reconheço que em muitos casos é mesmo, não seria bem mais interessante investir em cursos de doulas e orientar as mamães e papais à buscar esse recurso ainda durante o pré-natal?

    Por essa e por outras é que divulgo com o maior carinho o convite da minha amiga Clarissa, e mesmo sendo para um público pequeno, confio no poder de democratização da rede de blogs em que nos metemos. Espero em um futuro breve comemorar a popularidade das doulas no Brasil e sua imensa contribuição ao serviço público de assistência à maternidade. Viva a inteligência coletiva!

     



    Escrito por Aninha Santos às 16h24
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    Meu querido diário - Dia de Mãe

    Hoje meu filhote bateu a cabeça. Normal, ele vive correndo e pulando o tempo inteiro! Mas quando eu soube que ele vomitou depois da queda fiquei louca! Sai correndo do trabalho como se nada mais existisse na vida. Felizmente não foi grave. Fiquei observando a reação dele por algumas horas e agora, depois do susto, olho para a minha própria situação. Já são cinco anos e é como se fosse apenas cinco meses. Embora ele às vezes pareça o Benjamim Button, com suas observações sempre sérias e seu humor nada infantil, percebi que para mim ele não passa de um bebê, o meu bebê.

    Como todas as minhas tragédias têm um tom de comédia, quando pensei em desabafar aqui no blog, acabei lembrando -- ineitavelmente -- de uma expressão que a minha mãe usava quando contava casos da nossa infância, semelhantes ao que aconteceu com meu pequenino hoje. Ela dizia: "Sai correndo que nem vaca espantada..." Sempre achei engraçado e não imaginava o que seria correr como uma vaca espantada... até hoje!

    Acho que não tenho coração para essa montanha-russa. O susto passou, mas o medo continua aqui dentro, guardado, como se minha cria pudesse se partir em mil pedaços, a qualquer momento. Difícil entender que eles crescem, tão difícil quanto compreender que eles não são feitos de cristal. 



    Escrito por Aninha Santos às 16h09
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